15/02/2018 Larissa Roder e Nikaelly Lima

Por que existem menos mulheres na área de T.I?

Na infância, meninos são encorajados a encarar desafios e vencer. Enquanto isso, as meninas aprendem mais características ligadas ao cuidado.Isto acaba influenciando diretamente no futuro, fazendo com que cursos na área de TI possuam uma predominância masculina.

Porém, uma coisa é fato: sem a inteligência e o trabalho de mulheres, a tecnologia e a internet como as conhecemos hoje não existiriam. O primeiro algoritmo da história foi desenvolvido por Ada Lovelace. Algumas das mais importantes linguagens de programação foram criadas por mulheres: Irmã Mary Kenneth Keller gerou o BASIC, Grace Hopper é a mãe do COBOL. O protocolo STP, que impede o loop de dados nas redes e na internet, é invenção de Radia Perlman. E a tecnologia usada nos telefones celulares e nas redes wi-fi tem como base o trabalho da inventora e atriz Hedy Lamarr, na época da Segunda Guerra Mundial.

Você, assim como a gente, gostaria de conhecer mais grandes nomes femininos no futuro? Então acompanhe nosso artigo para conhecer os motivos da diminuição de mulheres na área de T.I. Aqui, você descobrirá também o que podemos fazer para reverter esse cenário.

Neste post, você descobrirá:

  • A desmotivação que vem desde a faculdade
  • Qual o lugar da mulher, afinal
  • Como aumentar a representatividade feminina na área de TI
  • Bônus: depoimentos de mulheres que seguiram a paixão por tecnologia

A desmotivação na faculdade

As estatísticas mostram que, atualmente nos cursos de engenharia e ciência da computação, para o ano letivo de 2015 em universidades de ponta do Brasil, a relação entre homens e mulheres permanece baixa.

 Na Universidade Estadual de Campinas, só 10,7% dos estudantes aprovados no vestibular eram mulheres. Na Universidade Federal de Minas Gerais, 11%. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro, 11,8%. A Universidade Federal de Pernambuco se destaca, com 15,9%.

O curioso é que nem sempre foi assim. Quando os cursos foram criados e iniciou-se os estudos nas décadas de 60 e 70, na área Tecnologia da Informação a maioria dos estudantes eram do sexo feminino.

O que pode ter acontecido dos anos 60 até então?

Os estereótipos construídos ao longo dos anos em relação a área de TI podem ser um dos fatores que levaram ao distanciamento das mulheres, tornando o ambiente pouco acolhedor. Além disso, nossa autocrítica excessiva pode nos levar a pensar que não somos “boas o suficiente” para fazer x ou y.

Lugar de mulher é em todo lugar

A diferença entre gêneros existe e sabemos que há ainda uma falta de credibilidade quando o assunto é mulher no mercado de trabalho, em atividades onde sua maioria é do sexo masculino, chegando a serem inferiorizadas no quesito financeiro.

Acreditamos que o que deve ser levado em consideração são as habilidades em exercer determinadas funções, e não o gênero das pessoas em questão. Um ambiente multicultural e com pluralidade de gênero se torna muito mais acolhedor e propício a criação de novas ideias e resolução de problemas. Afinal de contas, somos melhores juntos.

O que estamos fazendo para melhorar as estatísticas?

Diante deste cenário nasceram alguns grupos pelo Brasil com o intuito de promover a participação feminina na área de T.I. Seguem alguns dos grupos que apoiam essa causa:

PrograMaria – O projeto de Introdução à lógica de programação e ao desenvolvimento web prevê curso presencial de programação para mulheres.

MariaLab Hackerspace – O projeto tem o intuito de oferecer oficinas de capacitação em tecnologia para mulheres a partir de 14 anos, além de criar uma rede de apoio das participantes para troca de informações e ajuda.

PyLadies – É uma comunidade mundial que foi trazida ao Brasil com o propósito de instigar mais mulheres a entrarem na área tecnológica.

Conectadas – O grupo do Departamento de Informática da Universidade Estadual de Maringá, parceiro do programa Meninas Digitais, tem o intuito de discutir e realizar ações que fomentem a participação feminina na área de Computação. Os principais objetivos são: i) integrar as meninas matriculadas e as já formadas nos cursos de Bacharelado em Informática e Ciência da Computação do DIN/UEM; ii) discutir a participação feminina na área de Computação; iii) realizar atividades e ações que visem a fortalecer a presença feminina na área; iv) realizar atividades e ações que visem fomentar o interesse de meninas dos ensinos fundamental e médio pelos cursos da área; e v) diminuir o preconceito existente com relação à participação das meninas na área.

Existe muito trabalho para ser feito, e esse trabalho é um trabalho de conscientização e apoio, e grupos como os citados acima são fundamentais para levar esse tema para a comunidade e aumentar a representatividade feminina na área de TI.

Bônus: Depoimentos de mulheres que escolheram a área de T.I

Somos apaixonadas por T.I, então resolvemos entender um pouco mais o porquê das mulheres escolherem essa área. Segue o depoimento de algumas mulheres onde responderam a questão “Por que você escolheu a carreira na área de Tecnologia da Informação?”

“Sempre gostei da área de exatas, no colegial comecei a procura de cursos para o vestibular. Acabei me apaixonando por TI e escolhendo o curso de Ciência da Computação.” (Priscila Cristina de Lima Hilário – Desenvolvedora)

 

“Como eu escolhi TI? Bem, sabe quando você compra um refrigerante de sabor errado sem querer e depois que experimenta ele vira seu sabor preferido? Então, foi assim que eu cai na área de TI, meio que de paraquedas hehehe…”

 

“Tinha uns 15 anos na época e minha mãe me perguntou: “Filha, você sabe usar o computador?”, daí, eu ingênua respondi: “É obvio que eu sei! aff” (detalhe.: eu só sabia ligar o computador e acessar a internet, e ainda achava que sabia muito kkk).

Minha mãe então, como todas as mães persistentes do jeito que são… Me obrigou disse para fazer um curso profissionalizante de Informática. Mas como todo adolescente em idade de aborrescência  adolescência, inventei todas as desculpas que poderiam ser inventadas kkk (desde “como vou conciliar a escola com o curso”, até “por que fazer o curso se eu já sei mexer no computador?” #SQN). Mas não teve jeito, tive que fazer o bendito curso.

Nas primeiras semanas, odiava o curso, ia só porque minha mão me obrigou/pediu. Mas… até que um dia entrou um instrutor novo que tinha uma didática incrível, ele transformava algum tema complexo em algo simples, alinhado ao seu jeito carismático e humorístico, as aulas se tornavam cada vez mais interessantes. Com o passar do tempo fui indo para as aulas, aprendendo e gostando ainda mais da área de TI.

Uma frase que aquele instrutor sempre nos dizia em aula: “Se for para eu levantar de minha cama, repassar meu conhecimento e meus alunos não saírem satisfeitos, nem aprendendo, nem felizes, eu nem levanto dela”- Obs.: Quando eu “crescesse”, eu queria ter esse mesmo pensamento e determinação no meu dia-a-dia e ser que nem ele ou ao menos parecido com aquele professor kkk

Passado algum tempo, em torno de 2 anos, e próximo de épocas de Vestibular na UEM, quase no final do curso Profissionalizante, perguntei ao instrutor se ele tinha feito alguma Faculdade para estar dando aula e ele me disse que estava cursando Informática na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Foi aí que pedi algumas dicas e ele já de início me alertou sobre a dificuldade de algumas disciplinas ao decorrer do curso, mas se eu realmente gostava da área, compensava ao menos tentar.

Foi ai que tentei 2 vestibulares e no 3º passei, graças a Deus! \o/

Após entrar na UEM, e no 3º ano (acho que o 3 está me perseguindo, hahaha), começar a trabalhar como Analista de Testes em uma empresa de Software e descobrir que área de TI não é só programar e isto mudou minha vida! 🙂

“Beleza Andressa, mas porque você ficou na área de TI? Qual a vantagem e a desvantagem de você ter ficado? “

Então, eu fiquei porque eu enfim encontrei o que eu gosto (Análise, Testes Manuais e Automatizados) e também em minha função, como nas demais, consigo aplicar alguns conhecimentos teóricos adquiridos no curso profissionalizante e no curso de Informática na UEM, na prática, no dia-a-dia de trabalho e vi futuro nisso. Simples assim, não fiquei pensando no que podia ou pode dar errado ou certo, penso simplesmente “É isto que eu gosto de fazer” e ponto final, ai está minha principal motivação.

A vantagem é a conhecida frase de algum autor famoso: “Escolha um trabalho que você ame e não terá de trabalhar um único dia de sua vida”.

Ok, mas amor não proporciona dinheiro, não é? Não, infelizmente não proporciona, entretanto, todavia, porém, no entanto, o que se faz com gosto e com amor, sai bem feito, e trabalho bem feito é bem reconhecido em qualquer área, e a área de TI tem se mostrado bem generosa nesta parte.

A desvantagem em minha opinião é: a TI renova muito, e para não se tornar antiquado é necessário estudar frequentemente. Mas volto a dizer, se é algo que você realmente goste isto acaba não se tornando um problema.

Então para concluir segue a dica: Está em dúvida entre fazer TI ou não? Está insatisfeito com a sua formação ou o seu trabalho de TI ultimamente? Pesquise diferentes ramificações de TI e veja se alguma lhe agrada, senão, procure o que você gosta, nunca é tarde para recomeçar. O importante é lembrar que o conteúdo tem que lhe ser conveniente, a parte financeira vem como consequência.

Esses relatos são sob minha perspectiva, baseado em fatos que ocorreu na minha vida e que também já observei acontecendo com algumas pessoas próximas a mim, e pode não ser uma verdade absoluta…” (Andressa Karla da Silva Pilar – Analista de Testes)

 

A minha escolha pela TI foi muito relacionada à possibilidade de trabalhar com diversas frentes diferentes, em funções, tecnologias, ferramentas, e ainda assim poder trilhar uma carreira dentro de um mercado que se mantém aquecido e que oferece opções reais de crescimento e reconhecimento profissional conforme o perfil da pessoa, como a carreira em Y ou a linear, por exemplo. Além disso, o mercado de TI se trata de um segmento onde os conceitos se atualizam muito rápido e há uma grande necessidade de renovação de conhecimento, uma realidade que está alinhada com as minhas expectativas de rotina e desenvolvimento profissional e que ainda me ajuda a alcançar meus objetivos de carreira a médio e longo prazo. (Ana Paula Cristina Ehlke Carrion – Gerente de Projetos)

Referências

Grupo Conectadas

M de Mulher – Por que as mulheres ainda são minoria na área de TI?

Época Negócios – Por que há menos mulheres no setor de tecnologia?

Revosta Donna – Mulheres na TI: porque a tecnologia da informação ainda é uma área para poucas?

Gizmodo – A mulher no mercado de tecnologia – Conquistamos muito, mas ainda estamos longe do ideal

 

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Sobre o autor

Larissa Roder e Nikaelly Lima Larissa Roder é Desenvolvedora Java há quase três anos, Mestranda em Computação Aplicada pela UTFPR de Cornélio Procópio e possui certificação OCAJ7.Nikaelly Vieira de Lima é Bacharel em Ciência da Computação pela Universidade Estadual de Maringá. Trabalha como Analista de Testes na DB1 Global Software há 1 ano. Participa também do Projeto Conectadas - UEM.