22/08/2018 Ernani Wentland

Prazos: Missão impossível…ou não

Quem nunca recebeu uma tarefa e disse para si mesmo “É IMPOSSÍVEL!”? Atire a primeira pedra (uma de cada vez…rsrs)!

Sabe aquela tarefa que você disse “sim”, mas para si mesmo você disse “não”? Que para não receber o olhar de rejeição de seu patrão, chefe, gerente, supervisor, colega, amigo e etc., você acaba aceitando aquela solicitação, mas pensando consigo mesmo: “não vai dar pé, não tem como essa tarefa ser realizada”.

Essa situação pode acontecer quando uma tarefa é muito difícil, ou quando existe um prazo apertadíssimo. O pior é que a qualidade do serviço acaba comprometida nessas missões impossíveis.

Não existe uma forma infalível, uma fórmula mágica (caso exista, infelizmente não temos acesso ao livro de feitiços e não recebemos a mente da Hermione), mas tudo bem. Hoje vou compartilhar com vocês algumas dicas para resolver essas situações difíceis com base na minha experiência.

Como lidar com tarefas “impossíveis”

Em muitas situações, um simples “NÃO” resolveria todos os problemas, mas a solicitação de mais informações já demonstraria que o caminho para a Missão Impossível não é tão impossível para o solicitado, ou pelo menos demonstraria ao solicitante que aquela missão tão trivial para ele e que na mente dele está tão fácil não seria tão fácil assim como ele quer.

Antes de mais nada, precisamos entender o porquê de surgirem solicitações tão desafiadoras. Muitas vezes, quem está propondo a tarefa é uma pessoa que não está acostumada a realiza-la, então não reconhece o nível de complexidade. Muitas vezes, pedir mais informações já demonstra que o caminho para a Missão Impossível não é tão complicado, ou pelo menos demonstraria ao solicitante que aquela missão que lhe parece tão trivial não é tão simples na prática.

Vale lembrar que o bom e velho “NÃO” pode resolver muita dor de cabeça: é importante conhecer seus limites para não se arrepender e comprometer entregas, então aprenda a negar alguns pedidos quando necessário. Sei que é difícil e não queremos desagradar ninguém, mas às vezes pode ser melhor rejeitar uma proposta do que fazer mal feito, não é?

Exemplo prático: meu dia de missão impossível

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Semana passada passei por uma situação dessas. Segunda-feira de manhã o cérebro ainda estava dormindo, cheguei no cliente e o Diretor da empresa veio com uma solicitação simples para ele, mas tão simples e lógica na mente dele que meu cérebro respondeu “SIM”.

Após os momentos seguintes e depois de alguns cafés, o cérebro começou a funcionar, e começou a bater a ansiedade e a urgência da tarefa. O normal seria numerar as dificuldades e passar ao solicitante que o prazo não poderia ser concretizado, mas como sou daqueles que missão dada é missão cumprida (como diz minha mãe: “o homem só tem a palavra se nem isso ele tiver não é homem”), arregacei as mangas literalmente e passei a analisar a tarefa dada e como que iria concluí-la:

Tarefa: Ler uma etiqueta com código de barra aonde existia a informação do produto e o peso.

Objetivo: Após a leitura dos produtos, totalizar por produto e peso e disponibilizar uma forma de conferência.

Prazo : 1 dia!!

Para outros desenvolvedores de sistema Web ou Mobile, beleza: já existem rotinas prontas, templates, funções já definidas e por aí vai. Agora, para uma atividade do zero onde o sistema é um sistema de ERP Comercial e que todas as funções acima descritas estão em um Desktop e o processo deveria ser realizado em um celular? A coisa complicou e muito.

Apesar disso tudo, “Challenge Accepted”! Sou um desenvolvedor ou o que? (Não respondam…rsrs).

Já tinha uma certa experiência com o framework Ionic, então fui para a tarefa. Li o código de barras com o celular, encontrei o plugin responsável, ajustei os processos e, para minha sorte, no meu primeiro teste deu que minhas bibliotecas de Android estavam desatualizadas no Windows!! Aff… lá se foram praticamente 2 horas só para reinstalar bibliotecas e processos para conseguir realizar meu primeiro teste em ler a etiqueta.

Agora que a coisa complicou de vez. De 8 horas eu só tinha 6 horas para realizar os testes, gravar na memória, buscar a cada leitura, o totalizador do produto, atualizar e ainda tinha a parte da bendita apresentação na tela dos dados (bendito CSS te amo de coração, menino Jefferson que o sabe, nossas eternas brigas…).

Foquei na tarefa principal e deixei a tela por último, já sabendo que essa parte iria tomar muito tempo. Aqui fica a dica: foque no problema principal aonde você identifica que é o coração do problema ou da solução. O restante é o restante. Se você conseguir identificar o cerne do problema e ataca-lo primeiro, você já tem praticamente 50% do problema resolvido. Foi o que eu fiz.

Após o início conturbado (bendita atualização, tomou 2 horas para baixar e instalar) a sequência começou a desenrolar:

– Em 2 horas já tinha o esqueleto da aplicação

– Mais 2 horas para testes, afunilar o processo e colocar alguns ajustes

– 2 horas finais para colocar o bendito CSS e melhorar a carinha da aplicação

Ufaa…lá se vai o prazo da tarefa.

Com 8 horas estava na mão funcionando, lendo, gravando na memória e disponibilizando para o usuário os dados que ele queria…

Missão completada com sucesso!!! (Sim eu sei que falta CSS, menino “David”, que não ficou show!! Mas é o que eu consegui nessas condições).

O sucesso da resiliência ao chegar ao final da tarefa e visualizar o trabalho pronto, não tem preço.

Porém, como disse, só foi possível para um desenvolvedor de linguagem Delphi realizar tamanha tarefa em 6 horas. Foi preciso não aceitar o “statu quo” e sempre ir além (além do que você vê). A tarefa é difícil, os problemas também o são. O que vai diferenciar você e suas habilidades é você querer e se esforçar para mudar.

Ir além das expectativas, ir além da simples tarefa, ir além do impossível. É realizando esse esforço a mais que o homem chegou à lua (pelo menos assim é o que dizem…rsrsrs). Vá além!

Não encare os seus desafios, já deixando o cérebro dizer o que ele está acostumado, dê o seu melhor, se esforce e as conquistas virão, ou só o prazer de ter concluído já vale por 1 milhão (mas ainda aceito…rsrs).

Até a próxima!

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Sobre o autor

Ernani Wentland Ernani Wentland é desenvolvedor Delphi há 14 anos, certificado na linguagem pelo SENAC. Também possui certificado em Mobile pelo SENAI e atualmente cursa Back-End e NodeJs Front-End em React. Trabalha na unidade Domus ERP, da DB1 Global Software.